Por Que Deus Permite O Mal 4 Lições De C.S. Lewis 2

4 Lições Chocantes que Desafiarão sua Visão sobre Deus e o Mal

Se Deus é bom e todo-poderoso, por que o mundo está tão cheio de sofrimento e maldade? Esta é, talvez, a pergunta mais antiga e dolorosa que assombra a humanidade. Poucos pensadores enfrentaram esse dilema com a honestidade e a clareza de C.S. Lewis. Longe de oferecer respostas fáceis, o autor de “Cristianismo Puro e Simples” mergulhou na complexidade da questão, deixando um legado de argumentos que continuam a desafiar crentes e céticos.

Neste artigo, vamos explorar quatro de suas lições mais provocadoras. São ideias que não apenas explicam a presença do mal, mas que nos forçam a reconsiderar tudo o que pensamos saber sobre Deus, a liberdade e a própria natureza de Jesus Cristo.

Por Que Deus Permite O Mal

1. O Paradoxo do Livre-Arbítrio: Por Que um Deus Bom Permite o Mal?

A primeira verdade chocante de Lewis é esta: Deus considera o livre-arbítrio tão valioso que esteve disposto a arriscar toda a horrível história da dor humana para torná-lo possível. Para ele, a capacidade de escolher entre o bem e o mal é a condição fundamental para que qualquer coisa de valor real, como amor, bondade e alegria, possa existir.

Um mundo sem a possibilidade do mal seria um mundo de autômatos, de marionetes cujas cordas são puxadas por Deus. Embora perfeitamente “bom”, tal mundo seria desprovido de significado, pois virtudes não escolhidas não são virtudes.

Lewis nos força a concluir que, se Deus prosseguiu com a criação, é porque Ele mesmo considerou o risco um preço que valia a pena pagar pela possibilidade de um relacionamento de amor voluntário com suas criaturas.

Porque o livre-arbítrio, embora possibilite o mal, também é a única coisa que torna possível todo o amor, toda a bondade ou toda a alegria. Um mundo de autômatos, de criaturas que trabalhassem feito máquinas, dificilmente valeria a pena ser criado.

2. A Origem do Mal: O Desejo de Ser o Próprio Deus

Se o mal é resultado do livre-arbítrio, qual foi a primeira escolha errada? Lewis argumenta que a raiz de todo o mal é simples e assustadora: o desejo de uma criatura de se colocar em primeiro lugar, de ser o centro do universo. Em suma, o desejo de ser Deus.

Este foi o pecado de Satanás, e foi a ideia que ele ensinou à humanidade: a de que poderíamos ser nossos próprios mestres, inventando uma felicidade para nós mesmos, fora de Deus.

É importante corrigir um equívoco comum: a Queda do homem não teve a ver com sexo. Lewis esclarece que a corrupção da nossa natureza sexual foi uma consequência, e não a causa da Queda. A causa foi essa tentativa desesperada de “ser como deuses”, que deu origem a praticamente tudo o que chamamos de história humana: “dinheiro, pobreza, ambição, guerra, prostituição, classes, impérios, escravidão”.

E essa tentativa desesperada de inventar uma felicidade fora de Deus nos leva diretamente à próxima analogia poderosa de Lewis, que explica por que esse projeto está fadado ao fracasso.

3. A Máquina Humana: Por que a Felicidade nos Escapa?

Para ilustrar por que essa busca por felicidade fora de Deus sempre falha, Lewis usa uma analogia poderosa: a da “máquina humana”. Ele explica que Deus nos projetou para “funcionar à base dele mesmo”, assim como um carro é projetado para funcionar com gasolina. Não adianta tentar abastecê-lo com outro combustível.

A história da humanidade, segundo Lewis, é a crônica de uma máquina que falha repetidamente. Construímos civilizações, criamos instituições, mas algo sempre dá errado. A máquina parece funcionar por um tempo, mas o motor acaba fundindo. Por quê? Porque estamos tentando fazê-la funcionar com o combustível errado — dinheiro, poder, sucesso, prazer.

A felicidade e a paz que tanto buscamos não são coisas que Deus pode simplesmente nos dar como um presente, à parte Dele. Elas são parte de quem Ele é. Tentar encontrá-las em outro lugar é uma impossibilidade lógica.

Deus não pode nos dar felicidade e paz à parte de si mesmo, porque elas não se encontram aí. Não existe tal coisa.

4. A Alternativa Chocante: A Escolha que Jesus nos Força a Fazer

Depois de estabelecer o problema, Lewis apresenta a solução de Deus. Primeiro, Ele nos deu a consciência. Depois, enviou “bons sonhos” à humanidade — histórias pagãs sobre um deus que morre e ressurge. E, finalmente, escolheu um povo, os judeus, para ensinar ao mundo quem Ele era.

Então, desse povo, surge um homem cujas palavras eram, simplesmente, os pronunciamentos mais chocantes já enunciados por lábios humanos. Ele afirma que sempre existiu. Diz que voltará para julgar o mundo. E, o mais espantoso de tudo, Ele perdoa os pecados das pessoas.

Este ponto é crucial. Qualquer um pode perdoar uma ofensa cometida contra si mesmo. Mas Jesus perdoava pecados que não o lesavam diretamente. Como Lewis aponta, Ele se comportou “como se fosse a parte mais afetada, a pessoa mais ofendida em todas as ofensas. Isso só faria sentido se ele realmente fosse o Deus cujas leis estão sendo infringidas e cujo amor é ferido a cada pecado cometido”.

Diante disso, Lewis argumenta que a ideia de aceitar Jesus apenas como um “grande mestre de moral” é “uma enorme tolice”. As afirmações de Jesus não nos dão essa opção confortável. Elas nos forçam a uma escolha, um trilema implacável. Ele só pode ser uma de três coisas:

  1. Um Louco: Um lunático — do nível de alguém que afirmasse ser um ovo frito.
  2. Um Mentiroso: Um demônio do inferno, o próprio diabo em pessoa.
  3. O Senhor: Exatamente quem Ele dizia ser, o Filho de Deus.

Não há meio-termo. Rejeitar suas alegações divinas e, ao mesmo tempo, admirá-lo como um grande mestre é a única alternativa que ele não nos permitiu.

Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus; ou então um louco ou algo pior. Você pode descartá-lo como sendo um tolo ou pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou, então, poderá cair de joelhos a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas não me venha com essa conversa mole de ele ter sido um grande mestre de moral, pois ele não nos deu essa alternativa e nem tinha essa pretensão.


Conclusão: A Escolha Inescapável

A jornada intelectual de Lewis nos leva do porquê Deus arriscou o mal (o livre-arbítrio), passando pela origem do mal (nossa rebelião), até a consequência disso (uma “máquina humana” quebrada), culminando na única solução possível: a intervenção chocante de Deus em pessoa. No final, a questão mais importante não é por que o mal existe, mas quem é o homem que afirmou ser a resposta para ele.

Diante da lógica implacável de Lewis, a questão não é mais se Jesus foi um “bom homem”, mas sim: para você, quem Ele é?


Saiba mais em:

Cristianismo Puro e Simples de C. S. Lewis

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